quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

divórcio

Levei alguns anos para aprender algumas matemáticas na administração do tempo, afinal o dia tem 24 horas apenas, e criar um equilíbrio (frágil) entre o tempo da rotina - com todas suas obrigações, deveres, contas a pagar e a prestar... - e o tempo que realmente me pertence - para pensar, caminhar, dançar, beber, descansar, ler, namorar....
Acredito que o primeiro tem vários "donos": o estado, meu empregador, os prestadores de serviço oa que recorro (quantas horas já perdi tentando cancelar a assinatura da Bravio! o cartão de crédito!!).
O segundo não sei se é de fato, mas gosto de pensar que é meu. Ambos são meus, a grosso modo, mas no segundo sinto que sou eu de fato quem organiza e desfruta os minutos e horas, apesar da grande força dominadora dos imprevistos & intempéries. Ainda me frustro muito quando não consigo dar conta de tudo que me é valioso com o tempo que me pertence.
Daí, dia destes, me aconteceu de um "amigo" de facebook me cobrar por eu ter sido desatenciosa com ele, porque tinha até "postado" que passou por um "acidente", e eu sequer havia telefonado. Sinceramente, e cá entre nós, eu não tinha mesmo lido a tal "postagem". De ignorante passei a desatenciosa.
Este e outros episódios me fizeram parar para avaliar que tempo é este, e sobretudo a quem pertence - quando estou diante de um note book, dentro de uma rede social. Deste pensamento foi um pulinho pensar nas redes sociais e como elas funcionam no Brasil.
É de conhecimento público que o Orkut só pegou no Brasil, e por um motivo que me parece ser sociologicamente embasado: o brasileiro gosta de ver e ser visto, digamos assim que é um sujeito que se interessa pelo que se passa com o outro, é um tipo de voyer social, brandamente falando. Já o Facebook até pegou em outros países mas, no Brasil, ele se tornou a versão marombada do que era o Orkut. Um Orkut mais moderninho, ok, com mais ferramentas, aplicativos (péssimos!), recursos que o fizeram popular rapidamente.
Seguindo minha reflexão sobre o tempo, me dei conta que as redes sociais além de mediações tendem a ser sanguessugas daquele segundo tipo de tempo do qual falei no início: o tempo que realmente nos pertence.
Sim, porque assim como nas redes retomamos o contato com amigos e colegas que não víamos há séculos (contatos bastante superficiais, diga-se de passagem), é nelas também que dispensamos um tempo precioso com enormes bobagens. E, quer gostemos disto ou não, elas se tornaram um ambiente propício para a extensão daquele outro tempo, já que nelas é recorrente a circulação de notícias e fofocas de trabalho, e outros desdobramentos do tempo que vendemos ou emprestamos.
Imediata e radicalmente, comecei a ficar anti-rede social.
Não sei se é por ser do interior, onde as pessoas procuram se encontrar para saber umas das outras, e este saber tem outro sabor, mas desconfio de tudo que pode estar roubando meu tempo. Uma coisa é vender (mesmo que a preços módicos) ou emprestar o tempo que nos cabe, agora sentir-se roubada, para mim é bastante patético.
Pode parecer caretice, do tipo não sou "moderninha", não sou integrada, ou que sou uma dinossaura analógica, qualquer rótulo destes não me assusta nem incomoda, mas francamente, depois de pensar nisto tudo, resolvi me divorciar das redes: saí do Orkut (este foi o mais difícil, tinha um lance meio naif!), do Facebook, do Twitter, e por aí vai.
Gosto de me lembrar de viagens que fiz para encontrar meus amigos (a maioria se espalhou depois da universidade), de longos telefonemas que fiz, cartas escritas com coração, rodadas de cerveja divertidas, de noites na pista seguidas de conversas longas, de e-mails trocados com calor, e de encontros deliciosos. Mas, dificilmente vou me lembrar da postagem de alguém. E nem sou do tipo que entra no álbum de fotos para ver como vai a vida, as viagens dos colegas. Devo ser mesmo uma dinossaura analógica, ou semi digital.
Mas, quem quiser conversar ou se encontrar, ou ter notícias desta jurássica liga, escreve um e-mail, apareça! Eu sou destas.


1 comentários:

Anônimo disse...

Essa é a minha velha e boa amiga Nat e é por isso que eu te amo tanto! Ka ...