
Eu estava assim aos vinte anos.
A foto foi tirada no Campus da Unesp, em 1996, para o Jornal da Cidade (Bauru). A foto é de Otávio Valle.
Era uma foto de divulgação do espetáculo que eu e as demais Epífitas (Val, Vivi, Fernanda e Pati) fazíamos no grupo de teatro que criamos na Universidade. (Não gostava muito deste nome, mas era uma espécie de "homenagem" às "Orquídeas do Brasil". Então, deixa pra lá).
Eu era assim, como na foto mais ou menos, pensando que uma foto é só uma foto, e a gente é bem mais complexo e diverso que a imagem da gente. E, por mais que o pensamento imediato e óbvio que temos sobre pessoas esteja intimamente ligado à imagem que delas preservamos em nossa memória, a foto é apenas o momento, ou o registro de um lapso de tempo. Às vezes é uma parte de um sorriso lento, que se forma antes de uma gargalhada. Às vezes é a sílaba entre muitas outras, dita em centésimos e registrada numa foto que fica, na estante, no pen drive. A frase inteira não se sabe qual, a não ser que alguém se recorde.
Lembrei desta imagem quando pensava que estou prestes a completar 35 anos e que queria escrever sobre este momento agora, chegando na metade do caminho entre os 30 e os 40.
A foto do meu perfil do blog é bem mais contemporânea dos meus atuais quase 35, mas, não sei bem porquê, eu me lembrei e aproximei da pessoa que fui aos 20 anos de idade.
É estranho, mas quanto mais nos afastamos de um ponto, melhor olhamos para ele, e daí - de certa forma - nos aproximamos dele, de um modo peculiar, porque com algum distanciamento e sensatez.
Aos 20 ingressei na Universidade, comecei o curso de Jornalismo. Aos 20 vivi uma paixão destrutiva. Aos 20 assisti Mentiras de Guerra e Pulp Fiction. Descobri que não queria ser jornalista; não exatamente. E também que não queria uma paixão devastadora, não novamente.
Foi nesta idade que comecei a ouvir Tom Zé e Itamar Assumpção. Me reaproximei da música brasileira e me afastei do rock progressivo. Usei pela última vez (por ora) mechas loiras claríssimas, quase brancas. Também li O Amor nos Tempos do Cólera e o conto Coleira do Cão. Percebi que gostava de filosofia, mas que ler os textos filosóficos nem sempre é agradável quanto conversar sobre os temas da disciplina. Peguei um certo repúdio aos pensamentos da Escola de Frankfurt neste tempo. Depois me reconciliei, me apartei mais adiante, e já não sei bem o que penso a respeito atualmente. Fiz amigos inesquecíveis, como o Sivaldo e a Pati. Fiz colegas incríveis, como o Fer, que encontrei hoje, no meu trabalho, por acaso. Tive a primeira crise existencial profunda. E vivi um grande questionamento sobre o sentido disto tudo que se passa aos 20, quando começamos a ficar adultos, seja lá o que isto for.
Foi nesta idade que comecei a ouvir Tom Zé e Itamar Assumpção. Me reaproximei da música brasileira e me afastei do rock progressivo. Usei pela última vez (por ora) mechas loiras claríssimas, quase brancas. Também li O Amor nos Tempos do Cólera e o conto Coleira do Cão. Percebi que gostava de filosofia, mas que ler os textos filosóficos nem sempre é agradável quanto conversar sobre os temas da disciplina. Peguei um certo repúdio aos pensamentos da Escola de Frankfurt neste tempo. Depois me reconciliei, me apartei mais adiante, e já não sei bem o que penso a respeito atualmente. Fiz amigos inesquecíveis, como o Sivaldo e a Pati. Fiz colegas incríveis, como o Fer, que encontrei hoje, no meu trabalho, por acaso. Tive a primeira crise existencial profunda. E vivi um grande questionamento sobre o sentido disto tudo que se passa aos 20, quando começamos a ficar adultos, seja lá o que isto for.
Provavelmente me lembrei dos 20 na iminência dos 35 porque existem elos entre os dois momentos. São idades que, quando crianças, imaginamos serem marcos, emblemas de fases distintas da vida: a juventude e a vida adulta. São finais de ciclos e, portanto, início de outros, um entre. Na verdade tudo transcorre na absoluta fluidez que o tempo tem. Mas costumamos imaginar que não. E o entre tem um sabor instigante, não por ser pausa, trégua, mas por ser fim e começo ao mesmo tempo.
Daí eu sentir hoje uma leve angústia, típica das despedidas. Não sei muito bem como me despedir, desde sempre tenho esta dificuldade.
E daí um mistério pairando, ao mesmo tempo, típico dos inícios.
Vou tirar uma foto aos 35 e ver o que fica aos 50. Lembranças, trilha sonora, filmes, cursos, livros...

1 comentários:
oi Natalia lendo seu texto, veio um filme na minha cabeça, um não vários, vários não, o acervo de um cine clube.
Quando voçe tinha 20 anos eu estava com 35, e foi um tempo muito bom, me lembrei de estar com voçe no quarto do sobrado, discursando sobre o conto "Laços de Fita" de Machado de Assis, onde ele foca a diferença entre o fascínio e a paixão, depois de voçe ter uma crise amorosa, e convenci a voltar para o ensaio!!!
eu tive a felicidade de encontrar voçes, e compartilhar um momento marcante, e olha que tudo isso aconteceu no século passado.
um gande beijo amiga, descobri seu blog agora é só ligar o projetor...
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