Me delicio com as noites de Joana Francesa numa faixa, gozando em meio ao calor febril dos trópicos; noutra faixa, os recados do homem abalado de Desalento; a generosidade do autor em descrever uma mulher suburbana, amando simplesmente, dentro de um pequeno conjugado, em Suburbano Coração; em outra, canção extraída de Calabar - O elogia à traição, uma festa pernambucana, onde se lambuzam todos de suor, pecado e cachaça; seu Todo Sentimento doído e delicado; mais adiante, a moça que samba samba e desagrada o companheiro, amuado com cara de marido; em À flor da pele, um sentimento desgovernado e desajuizado ao mesmo tempo, que chega a ruborizar a gente; e em Não Existe Pecado do Lado de Baixo do Equador, a farra e a guerra para salvar nosso bem maior - o carnaval; ou em As Vitrines, uma de minhas prediletas deste álbum, a moça que deixa cair poesia pelas ruas envitrinadas de um Rio onírico e bêbado; e em a Volta do Malandro, a figura mítica e maior de nosso poeta popular, na praça outra vez, e a preciosa pérola que arremata o verso principal canta: "o malandro é o barão da ralé"; quase no final, e o estandarte do Sanatório Geral que vai passar, vai, um dia vai... E por aí vai!
É um disco pleno, em que Chico Buarque exibe seus talentos e empolga uma plateia que não sei bem, mas imagino que não era tão francesa assim. Gravação de show, vire e mexe se ouve a voz brasileira gritando "Chico!" ao fundo.
Recomendo Paris Le Zenith! Aos fãs de Chico, é claro.
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