domingo, 20 de fevereiro de 2011

Paris Le Zenith

Dia de folga e eu ouço de cabo a rabo o delicioso álbum que Chico Buarque fez ao vivo, em Paris, na década de 90.
Me delicio com as noites de Joana Francesa numa faixa, gozando em meio ao calor febril dos trópicos; noutra faixa, os recados do homem abalado de Desalento; a generosidade do autor em descrever uma mulher suburbana, amando simplesmente, dentro de um pequeno conjugado, em Suburbano Coração; em outra, canção extraída de Calabar - O elogia à traição, uma festa pernambucana, onde se lambuzam todos de suor, pecado e cachaça; seu Todo Sentimento doído e delicado; mais adiante, a moça que samba samba e desagrada o companheiro, amuado com cara de marido; em À flor da pele, um sentimento desgovernado e desajuizado ao mesmo tempo, que chega a ruborizar a gente; e em Não Existe Pecado do Lado de Baixo do Equador, a farra e a guerra para salvar nosso bem maior - o carnaval; ou em As Vitrines, uma de minhas prediletas deste álbum, a moça que deixa cair poesia pelas ruas envitrinadas de um Rio onírico e bêbado; e em a Volta do Malandro, a figura mítica e maior de nosso poeta popular, na praça outra vez, e a preciosa pérola que arremata o verso principal canta: "o malandro é o barão da ralé"; quase no final, e o estandarte do Sanatório Geral que vai passar, vai, um dia vai... E por aí vai!
É um disco pleno, em que Chico Buarque exibe seus talentos e empolga uma plateia que não sei bem, mas imagino que não era tão francesa assim. Gravação de show, vire e mexe se ouve a voz brasileira gritando "Chico!" ao fundo.
Recomendo Paris Le Zenith! Aos fãs de Chico, é claro.

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