sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

passo o ponto

Mês passado, logo depois que acabaram as festas de início do ano novo, levei um golpe baixo da vida. Meus dois cachorros, o Idupi (6 anos) e a Lolli (filha dele, de dez meses) ficaram doentes de tal forma que eu não sabia por onde começava o tratamento. Começaram com vômitos esporádicos, e eu tentei controlar a situação em casa. Depois se tornaram frequentes, então levei os dois ao veterinário, que parecia saber tanto quanto eu sobre o que fazer. Desesperada, me lembrei da indicação de um hospital veterinário 24 horas. A pessoa que indicou falou super bem da equipe, das instalações e assegurou que o preço era honesto. Eu já estava mais que sem saber o que fazer, levei os dois pequenos para interná-los. Pensava que fazia o melhor, por mais que me doesse ter que ficar longe deles quando mais frágil estavam. Meu raciocínio era baseado na ideia de que lá eles seriam observados dia e noite (o que eu não estava conseguindo fazer, por conta do compromisso com o meu trabalho) e que teriam suporte mais adequado (medicação via intravenosa, já que eles não estavam ingerindo nada mais).
Foram dois dias de internação e uma ansiedade absurda me abateu. O hospital fica muito longe da minha casa, eu não dirijo, e tinha que trabalhar longas horas naqueles dias. Tudo para complicar a aproximação. Então ligava dia e noite para falar com veterinários e ter notícias. E as notícias eram boas, animadoras. O Ricardo me ajudava a segurar a barra da ansiedade, da aflição.
Dois dias depois, tiveram alta, voltaram para casa, e eu não cabia em mim, tamanho alívio e felicidade. Porque, naquela altura, eu já me perguntava "onde foi que errei" e não via a hora de alguém acertar, achar um tratamento que funcionasse.
Na semana seguinte à alta médica meu cachorro mais velho foi diagnosticado cardíaco. Sim, uma série de exames pelos quais ele tinha passado, apontaram uma doença degenerativa nas válvulas cardíacas. Outro golpe muito baixo, um susto sem tamanho. E logo ele, um coração amoroso e carinhoso... Então, senti me faltar chão e paz e vi meu alívio e alegria afundarem como pequenos barcos frágeis de papel.
Não tive tempo para cuidar da tristeza que me abateu. Comecei imediatamente a cuidar da dieta e dos hábitos dele, as únicas precauções que o veterinário que o acompanha indicou como forma de prevenção do progresso da doença.
Não há tratamento no estágio em que a doença está - foi o que ele alegou.
Um mês depois, ou menos, sábado passado especificamente, meus dois cachorros voltaram a vomitar, numa frequência cada vez maior, a cada dia.
Iniciei os cuidados, logo no primeiro dia, em casa. a Lolli reagiu prontamente bem, se recuperou e parou de vomitar 3 dias depois.
Mas o Idupi não...
Tivemos que interná-lo dia 10, na madrugada e às pressas, depois de duas longas noites em que eu e Idupi vimos o sol nascer, sem dormir. Ele, porque se sentia mal e nada parava em seu estômago. Eu, porque não conseguia relaxar vendo meu amigão se sentir tão mal, e acudia, fazia carinhos nele, limpava os lugares, para tudo se repetir noite e manhã adentro, ciclicamente, tristemente, desesperançosamente.
Ontem mesmo o hospital deu alta e liberou seu retorno pra casa. Ele, ainda frágil, voltou a vomitar no carro, no caminho para casa. Depois, outras vezes em casa.
Eu sei que agora há pouco, quando abri a porta de casa, chegando do trabalho, vi que Idupi estava num estado semelhante ao dos dias anteriores. Mais uma vez desolada, sem saber onde meter as mãos, e me perguntando onde errei, e se estava agindo certo, e porque deram alta se ele está frágil e visivelmente debilitado... uma tortura!
Liguei no tal hospital e contei tudo, tintim por tintim ao veterinário que deu a alta, questionei o que ele fez, indaguei quais exames não tinham sido feitos, etc, etc, numa conversa que parecia não ir a lugar algum...
Vou tentar dormir esta noite, porque faz 3 que estou sem dormir pesadamente. Não sei se vou conseguir, porque o meu amigão está tão caído, tão debilitado, que não sei se vou fechar os olhos e me entregar ao sono. Ou se o sono vai me vencer. Ou... Não sei. Não sei o que vou fazer amanhã cedo, quando o sol me avisar que é preciso tomar uma decisão, a melhor de todas, a mais acertada, que pode ser decisiva, tipo: internar novamente, ou buscar outro veterinário, ou tentar cuidar dele em casa, ou... na verdade são poucas opções. Quando o sol vitorioso se erguer, espero ter uma resposta, ou decisão (tarefa difícil para alguém com Sol e Lua apontando para Peixes).
Até lá, fico com um cansaço profundo, e só me perguntando o que fazer, e com uma sensação, uma vontade maluca, que dá título a esta postagem.
Queria encontrar pelo caminho, magicamente, um sábio chinês para quem perguntar: o que fazer, e dele ter a resposta brilhante que agora não vejo, por mais que force a vista e me bata a urgência.
Queria passar o ponto para alguém muito sábio, ou mais arisco, ou simplesmente para alguém melhor que eu.
O sábio chinês foi uma imaginação da minha urgência.

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